*texto originalmente postado em setembro de 2006, no Mundo de Oz III (http://mundodeoz3.blogspot.com)
**post escrito inspirado pela música "Suite Sister Mary", do álbum Operation Mindcrime, do Queensrÿche.
http://www.youtube.com/watch?v=UKnR9fBC4Tk
Ele e o homem de plástico caminham pela rua.
- Nós a mataremos. Se você não continuar conosco.
- Ela? Não. Vocês não...
- Não temos outra escolha. Você é muito importante para o nosso projeto.
O homem entra num carro de luxo e vai embora.
Chuva. Os sonhos tornam-se mais lúcidos. Desde que parou de tomar os remédios sem que percebecem. Olhava para o teto do quarto esverdeado. Pensava no cd que havia ouvido. Lembrou que um enfermeiro entrou na hora e levou o cd-player antes que pudesse terminar. Mas isso já não importava mais. Sabia que havia algo errado e que teria que descobrir o que era. "A morena. Preciso encontrar a morena!"
Determinado, levantou-se e foi até a janela. Com um pouco de força, conseguiu quebrar a fechadura. Térreo. Pulou para fora. Correu pelos jardins verdes e sombrios daquela clínica. Chegou ao muro. Subiu numa árvore e pulou. Rua. "Livre! Livre?" Correu e correu. Junto com a chuva, pensamentos e imagens desaguavam em sua mente.
A última briga com a loira. Um homem escrevendo. "Eu?" Uma conferência de homens importantes. O ódio. "2 minutos de ódio."1 Viu-se num quarto sujo de pensão. O fim do poço. Uma ruiva. "Ela." Paixão. O homem volta a escrever. O peso da consciência. O doutor. O líder. Ameaça. Um corpo e o vermelho. Dor. A culpa. Fuga. Correndo de si mesmo. Loucura. Viu-se sendo levado. Pílulas azuis. O Doutor. "Wheels of confusion"2 no rádio. Ilusões, sonhos. O quarto verde. Roupas verdes. A morena. O cd. A luz.
Parou, no meio da rua. A chuva insistindo em diluir seus pensamentos. Estava sóbrio.
- Eu me lembro agora.
Caminhava pelas ruas. Roupa diferente. "Isso não é real? Outro sonho?" Ainda havia chuva, mas não se importava. Sempre que perdia tudo essas coisas pareciam não importar mais. Adorava andar pelas ruas. "Elas são minhas", costumava pensar. Parou diante da porta velha daquele prédio velho. Número 13. "É aqui." Entrou.
A ruiva parecia enfeitiçá-lo. Fazia tudo por ela. Voltou a escrever, mas não estava feliz. Era totalmente apaixonado por ela. "Será ela por mim também?" Não sabia se era certo, mas adorava estar com ela. Mesmo que tivesse que escrever para isso. Pensou nisso enquanto andava pelos corredores do prédio novo e frio com os novos textos na mão. Entrou na sala do chefe. Ela. "Por que sinto que fui enganado?" Silêncio.
- Boa noite, sonhador.
Do outro lado da velha porta estava a dona daquela voz. "A morena. Finalmente."
- Eu estava esperando por você. Entre.
A multidão estava realmente animada. Ele foi anunciado. "Nosso novo profeta!", alguém gritou. Atrás de si as bandeiras que tentava não defender. Todos levantaram-se e aplaudiram. Ele era a nova salvação daquele estranho grupo. Vermelho. Havia vermelho por toda parte. Tentou calar a consciência. "Meu filho. Ele está vindo e preciso cuidar bem dele." Festa. Alegria. Todos o adoravam. "Talvez não seja tão ruim assim." Vendeu sua alma.
Da esquina ficou olhando para a janela do apartamento. A loira e seu filho olhavam com ar de tristeza. Foi-se pensando em nunca mais voltar. Sentou-se num bar. Tentava entender onde tudo isso levaria. Parecia lutar pela sanidade cada vez mais e nunca ganhava. "Aquele médico não está resolvendo nada!"
Ela. "Outro sonho". Parecia triste.
- O que houve?
- Nada.
- Sei que houve alguma coisa...
- Eu tô meio deprê, só isso.
- É algo comigo?
- Não. É que as vezes me pedem coisas que não sei se quero fazer.
- Como o quê?
- Esquece.
Fumaça. Neblina. Cego. Tenta caminhar, encontrar uma luz. Acorda. Preso.
- Sabemos que foi você. Confesse!3
- O quê?
"Policiais?" Havia uma luz forte em sua cara, difícil dizer. Olhou as roupas. Só conseguiu ler Cia. Kruber Ghran-Brauser. "Não são policiais."
- Por que você a matou?
- Não matei ninguém!
- Queremos que você confesse! Será melhor para você! O que estavam fazendo no parque?
- Quem são vocês? Me deixem em paz!
"Isso não é real! Não é real! Outro sonho!"
- Sempre quis ver você feliz, mas lhe trouxe dor e sofrimento.
Outro lugar. Ela de novo.
- Você não precisa continuar com eles se não quiser. Eu morro pra você se for preciso.
- O que você está dizendo?!
Tentou se lembrar qual era o assunto. Não conseguiu.
- Sei que se sente culpado. Eu sei da ameaça. Eu desapareço e você pode deixá-los novamente. Não precisa se preocupar comigo. Você tem coisas mais importantes para se preocupar.
- Ei! Acorde!
Estava no sofá, cochilando. Olhou em volta. A loira. "Cadê o menino? Nada."
- Nossa, como você dorme. Ainda sonha bastante?
- Aham. Que horas são? Que dia é hoje?
- Sempre perdido... Vamos! Levante-se! Você tem que ir na consulta do médico. Você prometeu!
- Médico?
- Ééé! Pra ver essas imagens na sua cabeça, os sonhos, os devaneios excessivos, lembra-se?
Tentou levantar. Um clarão. "Está acontecendo de novo."
Um tiro. Correu pelo corredor. Algo dizia que havia sido em seu apartamento. Subiu as escadas ofegante e chegou à porta. Abriu. Ela. No chão. Vermelho. "Não! De novo não!" Correu até ela. Ainda viva.
- Me desculpe se te magoei. Nunca foi minha intenção.
- Não fale! Vou buscar ajuda...
- É tarde... Você está livre...
Sentiu que a vida dela estava indo embora. Chorou.
- Tudo minha culpa! Minha culpa!
- Não. Eu sou culpada. Desculpe por destruir sua vida...
Ela tentou chorar, mas se foi. Ele fechou os olhos. Acordou. Hospital. Quarto azul. Roupas azuis. Janela sem grades.
- O que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz?
Gritou e chorou. "Um sonho ou lembranças?" Parou. Olhou-se no espelho.
- Ah, doce irmã da dor. Sempre sozinha. Cega você procura pela verdade. Eu me vejo em você. vidas paralelas girando na velocidade da luz pelo tempo.4
Piscou. Outro lugar. O velho prédio de número 13. "Ela me falou que andava ouvindo vozes e que para poder dormir sempre tomava algumas doses"5, cantava alguém de fundo, num rádio. Na mesa uma revista sobre a morte de Oz6. Na sua frente a morena.
- Até que enfim voltou!
- Como? Essa é a realidade?
- Nossa! Fizeram um estrago em você mesmo, hein!
- Quem é você?
- A filha do seu salvador. Acho que você nem se lembra dele...
- A que esteve no hospital. Me deu o cd...
- Aham. Eles te hipnotizaram. Ah, isso eu já disse! E pelo jeito você não conseguiu ouvir o cd até o final, mas conseguiu me encontrar. Interessante... Acho que algum efeito teve. Sente-se. Vou te contar o que houve e tentar reverter o que fizeram. Mas enquanto eu falar, terá que olhar para aquele espelho fixamente e tentar não criar imagens na sua cabeça.
Sem entender nada, olhou para o espelho. Esperava finalmente por uma resposta.
- Nós a mataremos. Se você não continuar conosco.
- Ela? Não. Vocês não...
- Não temos outra escolha. Você é muito importante para o nosso projeto.
O homem entra num carro de luxo e vai embora.
Chuva. Os sonhos tornam-se mais lúcidos. Desde que parou de tomar os remédios sem que percebecem. Olhava para o teto do quarto esverdeado. Pensava no cd que havia ouvido. Lembrou que um enfermeiro entrou na hora e levou o cd-player antes que pudesse terminar. Mas isso já não importava mais. Sabia que havia algo errado e que teria que descobrir o que era. "A morena. Preciso encontrar a morena!"
Determinado, levantou-se e foi até a janela. Com um pouco de força, conseguiu quebrar a fechadura. Térreo. Pulou para fora. Correu pelos jardins verdes e sombrios daquela clínica. Chegou ao muro. Subiu numa árvore e pulou. Rua. "Livre! Livre?" Correu e correu. Junto com a chuva, pensamentos e imagens desaguavam em sua mente.
A última briga com a loira. Um homem escrevendo. "Eu?" Uma conferência de homens importantes. O ódio. "2 minutos de ódio."1 Viu-se num quarto sujo de pensão. O fim do poço. Uma ruiva. "Ela." Paixão. O homem volta a escrever. O peso da consciência. O doutor. O líder. Ameaça. Um corpo e o vermelho. Dor. A culpa. Fuga. Correndo de si mesmo. Loucura. Viu-se sendo levado. Pílulas azuis. O Doutor. "Wheels of confusion"2 no rádio. Ilusões, sonhos. O quarto verde. Roupas verdes. A morena. O cd. A luz.
Parou, no meio da rua. A chuva insistindo em diluir seus pensamentos. Estava sóbrio.
- Eu me lembro agora.
Caminhava pelas ruas. Roupa diferente. "Isso não é real? Outro sonho?" Ainda havia chuva, mas não se importava. Sempre que perdia tudo essas coisas pareciam não importar mais. Adorava andar pelas ruas. "Elas são minhas", costumava pensar. Parou diante da porta velha daquele prédio velho. Número 13. "É aqui." Entrou.
A ruiva parecia enfeitiçá-lo. Fazia tudo por ela. Voltou a escrever, mas não estava feliz. Era totalmente apaixonado por ela. "Será ela por mim também?" Não sabia se era certo, mas adorava estar com ela. Mesmo que tivesse que escrever para isso. Pensou nisso enquanto andava pelos corredores do prédio novo e frio com os novos textos na mão. Entrou na sala do chefe. Ela. "Por que sinto que fui enganado?" Silêncio.
- Boa noite, sonhador.
Do outro lado da velha porta estava a dona daquela voz. "A morena. Finalmente."
- Eu estava esperando por você. Entre.
A multidão estava realmente animada. Ele foi anunciado. "Nosso novo profeta!", alguém gritou. Atrás de si as bandeiras que tentava não defender. Todos levantaram-se e aplaudiram. Ele era a nova salvação daquele estranho grupo. Vermelho. Havia vermelho por toda parte. Tentou calar a consciência. "Meu filho. Ele está vindo e preciso cuidar bem dele." Festa. Alegria. Todos o adoravam. "Talvez não seja tão ruim assim." Vendeu sua alma.
Da esquina ficou olhando para a janela do apartamento. A loira e seu filho olhavam com ar de tristeza. Foi-se pensando em nunca mais voltar. Sentou-se num bar. Tentava entender onde tudo isso levaria. Parecia lutar pela sanidade cada vez mais e nunca ganhava. "Aquele médico não está resolvendo nada!"
Ela. "Outro sonho". Parecia triste.
- O que houve?
- Nada.
- Sei que houve alguma coisa...
- Eu tô meio deprê, só isso.
- É algo comigo?
- Não. É que as vezes me pedem coisas que não sei se quero fazer.
- Como o quê?
- Esquece.
Fumaça. Neblina. Cego. Tenta caminhar, encontrar uma luz. Acorda. Preso.
- Sabemos que foi você. Confesse!3
- O quê?
"Policiais?" Havia uma luz forte em sua cara, difícil dizer. Olhou as roupas. Só conseguiu ler Cia. Kruber Ghran-Brauser. "Não são policiais."
- Por que você a matou?
- Não matei ninguém!
- Queremos que você confesse! Será melhor para você! O que estavam fazendo no parque?
- Quem são vocês? Me deixem em paz!
"Isso não é real! Não é real! Outro sonho!"
- Sempre quis ver você feliz, mas lhe trouxe dor e sofrimento.
Outro lugar. Ela de novo.
- Você não precisa continuar com eles se não quiser. Eu morro pra você se for preciso.
- O que você está dizendo?!
Tentou se lembrar qual era o assunto. Não conseguiu.
- Sei que se sente culpado. Eu sei da ameaça. Eu desapareço e você pode deixá-los novamente. Não precisa se preocupar comigo. Você tem coisas mais importantes para se preocupar.
- Ei! Acorde!
Estava no sofá, cochilando. Olhou em volta. A loira. "Cadê o menino? Nada."
- Nossa, como você dorme. Ainda sonha bastante?
- Aham. Que horas são? Que dia é hoje?
- Sempre perdido... Vamos! Levante-se! Você tem que ir na consulta do médico. Você prometeu!
- Médico?
- Ééé! Pra ver essas imagens na sua cabeça, os sonhos, os devaneios excessivos, lembra-se?
Tentou levantar. Um clarão. "Está acontecendo de novo."
Um tiro. Correu pelo corredor. Algo dizia que havia sido em seu apartamento. Subiu as escadas ofegante e chegou à porta. Abriu. Ela. No chão. Vermelho. "Não! De novo não!" Correu até ela. Ainda viva.
- Me desculpe se te magoei. Nunca foi minha intenção.
- Não fale! Vou buscar ajuda...
- É tarde... Você está livre...
Sentiu que a vida dela estava indo embora. Chorou.
- Tudo minha culpa! Minha culpa!
- Não. Eu sou culpada. Desculpe por destruir sua vida...
Ela tentou chorar, mas se foi. Ele fechou os olhos. Acordou. Hospital. Quarto azul. Roupas azuis. Janela sem grades.
- O que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz?
Gritou e chorou. "Um sonho ou lembranças?" Parou. Olhou-se no espelho.
- Ah, doce irmã da dor. Sempre sozinha. Cega você procura pela verdade. Eu me vejo em você. vidas paralelas girando na velocidade da luz pelo tempo.4
Piscou. Outro lugar. O velho prédio de número 13. "Ela me falou que andava ouvindo vozes e que para poder dormir sempre tomava algumas doses"5, cantava alguém de fundo, num rádio. Na mesa uma revista sobre a morte de Oz6. Na sua frente a morena.
- Até que enfim voltou!
- Como? Essa é a realidade?
- Nossa! Fizeram um estrago em você mesmo, hein!
- Quem é você?
- A filha do seu salvador. Acho que você nem se lembra dele...
- A que esteve no hospital. Me deu o cd...
- Aham. Eles te hipnotizaram. Ah, isso eu já disse! E pelo jeito você não conseguiu ouvir o cd até o final, mas conseguiu me encontrar. Interessante... Acho que algum efeito teve. Sente-se. Vou te contar o que houve e tentar reverter o que fizeram. Mas enquanto eu falar, terá que olhar para aquele espelho fixamente e tentar não criar imagens na sua cabeça.
Sem entender nada, olhou para o espelho. Esperava finalmente por uma resposta.
...continua
Notas:
1 - referência ao livro "1984", de George Orwell
2 - música do Black Sabbath
3 - esse trecho tem várias referências à música "Eu Não Matei Joana D'arc", do Camisa de Vênus; uma "brincadeira" que eu fiz com uma amiga minha, assim como no texto original há algumas letras por todo o post em negrito, que juntas fazem referência a ela sendo à ruiva da história.
4 - trecho traduzido de "Suite Sister Mary"
5 - treho de "Eu Não Matei Joana D'arc", do Camisa de Vênus
6 - referência à saga anterior a essa.
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2 comentários:
eu não matei joana d´arc é uma música legal.
meu deeeeus, oz, que confuso!!
melhor não confiar nas morenas :I
fico muito frustrada em ler seus posts e saber que meu 1984 está por aí, por entre mãos que não são as minhas aaaah :(
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