quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A Última Saga - Parte 6

>> Texto postado originalmente em 2006 no Mundo de Oz III - http://mundodeoz3.blogspot.com.

A ÚLTIMA SAGA – PARTE 10 DE 12

Oz ficou maravilhado e assustado com o que viu. Do outro lado do espelho que acabara de atravessar havia um estranho mundo mágico e medieval. Viu aldeões da Terra- Média, elfos e um estranho pássaro sobrevoando um pequeno vilarejo. Era um grifo.
Oz: - Essa agora. Do futuro que é passado para o passado que não existe...
Bispolin: - Ei! Quer brincar?
Oz se virou e viu uma pequena menina com cara de elfo.
Oz: - Quem é você?
Bispolin: - Bispolin. Vamos brincar? Você tem poderes mágicos? A gente pode bagunçar a cidade. Se você não tiver eu mesmo faço isso! Vamos?
Oz: - Você é um elfo? E que lugar é esse?
Bispilin: - Não. Sou uma fada. E o nome desse lugar é Terra-Imaginária-do-Mundo-deOz! (disse, apontando o dedo, como se estivesse soletrando). Também conhecido como Magicland.
Oz: - Hum... Sabe, eu vim aqui procurar por um mestre. Um cara que pode me ajudar a acabar com essa baboseira de encontrar a mim mesmo.
Bispolin: - Olha! Elefantes voadores!
E criou 3 pequenos elefantes com asas, que ficavam voando em volta da cabeça do Oz.
Bispolin: - Se é boboseira, por que continuar?
Oz: - Sei lá. Eu preciso encontrar alguma coisa pra fazer. Ter um objetivo. Parece que nada do mundo real me prende...
Bispolin: - Ai, pra que você quer ser preso? (e começou a dançar com as plantas, que se sacudiam de um lado para o outro). Viver a vida já não é um objetivo? Mas que tal de mestre é esse? Tem muitos por aqui, sabe? Hoje em dia tem mestres e gurus por toda parte...
Oz: - Karin é o nome dele. Você conhece?
E ela fez um gesto e sua roupa mudou para um vestido infantil azul e seus cabelos viraram trança.
Bispolin: - Olha, sou a Dorothy no Mundo Mágico de Oz1, ahahahahha! Conheço sim! Vou te ajudar a chegar lá!
De repente, um furação surgiu do nada, levantando Oz no ar. Bispolin desapareceu e Oz se viu rodando no ar junto com vacas, duendes e casas que cantarolavam músicas do Monty Python2. Pensou que pudesse se esborrachar no chão, mas de repente bateu numa parede de grama e o vento parou. A parede era o chão, na verdade. Tentou se levantar, mas um cachorro andando sobre as patas traseiras tropeçou nele.
Cachorro: - Ei! Cuidado! Preciso correr, preciso correr!
Oz: - Calma, onde vai?
Cachorro: - Estou atrasado, atrasadíssimo!
Oz: - Hum... Não era pra ser um coelho branco? Atrasado para quê?
Cachorro: - Do que você está falando? Preciso correr, antes que vire pizza!
E tentou correr, mas num “puf” virou pizza. Oz ficou pensando que mundo era aquele em que cachorros viravam pizza?
Whip Witch: - Dá pra pensar mais baixo, por favor?
Oz: - Hein?
Oz olhou e viu uma garota com cabelos meio alaranjados que pareciam cabelos de algum anime eom um chicote na mão.
Oz: - Ah, desculpe. Sabe onde eu encontro Karin? E pra que esse chicote?
Whip Witch: - Eu gosto de dar umas chicotadas de vez em quando, mas às vezes sou legal também. Ali, naquela cabana depois da curva.
Oz: - Que foi? Parece deprimida?
Whip Witch: - Eu sou assim mesmo. E você parece mais novo do que me lembro.
Oz: - É que aqui eu tô com 19anos! Ás vezes parece que não saio dessa idade...
Whip Witch: - Ah, pare com isso! A gente tem a idade que acha que tem! Se você tem 19 é por que tem 19! Conheço gente de 17 que tem 50. O que você faz da sua vida é o que você faz da sua vida! Pare de choramingar feito uma criança e vai viver a vida!
Oz: - Eu tenho responsabilidades...
Whip Witch: - Há! Todos nós temos, querido. Transformar isso num fardo, numa desculpa para esquecer do "para que" você está aqui ou integrar isso aos seus planos e sonhos é escolha sua. O tempo passa e só o presente fica. Acredite! Nós bruxas sabemos disso...
Oz: - Hum... Tá bom. Agora deixa eu ir lá falar com o mestre...
Whip Witch: - Vai lá! E ó: você vai amadurecer se assim escolher. Mas cuidado pra não virar um velho chato e ranzinza antes dos 303. Eu mesma tenho medo disso...
Oz: - Pode deixar. Tchau!
E assim Oz chegou finalmente à cabana de Karin.
Oz: - Alô! Mestre Karin?
Karin: - Oi, Oz. Estou aqui.
Oz vira-se e vê um gato branco, com um chapéu engraçado, um cajado e uma plaqueta com dizeres em japonês no pescoço4.
Oz: - Você é o mestre Karin? Um gato?
Karin: - E por que não? Mas não perca tempo pensando nisso. Certas questões só servem para nos distrairmos e desviarmos de nosso caminho.
Oz: - Ok. Bem, mestre... Já faz um tempinho que eu tô viajando por esse mundo maluco e ainda não consegui encontrar a felicidade, um caminho, entende?
Karin: - Felicidade não se encontra, se vive. E caminho a gente faz ao caminhar. Pense no que você quer de verdade!
Oz: - Preciso de alguém ou alguma coisa que faça com que eu me liberte e seja eu mesmo.
Karin fez cara de quem não gostou muito.
Karin: - Ninguém nem nada vai te libertar se você se acredita aprisionado. Mas, enfim... Talvez o Velho da Montanha possa ajudar, se você prefere assim. Mas vai ter que passar para o outro lado, o lado sombrio de sua mente!
Assim, Karin o Gato gesticulou seu bastão e uma luz forte cegou Oz. Quando tirou a mão dos olhos, viu que estava em um lugar totalmente diferente do mundo mágico meio infantil em que estava antes. Seus cabelos haviam crescido, sua roupa ficou preta e velha e tudo em volta era frio e triste. De um lado viu um clarão de batalha e ouvia gritos e gemidos no ar. Do outro viu uma enorme montanha de gelo. Percebeu que teria que enfrentar a pior parte de si mesmo para se libertar e se pôs a subir a montanha...

ÚLTIMA SAGA – 11 DE 12:

Oz parecia estar cansado daquele mundo mágico e surreal no qual estava vivendo. Seus braços e pernas doíam enquanto ele subia aquela montanha. Tentou se lembrar por que estava ali. Lembrou-se de que, por uma razão que ele ainda desconhecia, havia passado para um lado irreal de sua mente e tudo que tinha acontecido desde então não parecia fazer muito sentido. Lembrou-se então que um gato branco falante havia lhe dito que somente o Velho da Montanha poderia ajudá-lo. Por isso então estava se dispondo a subir aquela montanha de gelo.
Para todos os lados em que olhava, só via branco. Neve, muita neve. E seus cabelos, que haviam se tornado compridos de uma hora para outra, estavam cobertos e pesados dessa neve. Foi quando avistou uma pequena cabana em um pequeno platô. Havia chegado ao cume da montanha.
Oz: - Alô! Tem alguém ai?
Velho da Montanha: - Não. Ninguém.
Oz se vira e vê um velho mais baixo que ele, de longas barbas e cabelos brancos.
Oz: - Olá! Meu nome é Oz. Karin pediu para que eu o procurasse.
Velho: - Pra quê?
Oz: - Não sei ao certo... Meu dia tem sido bastante esquisito.
Velho: - Dias normais são para pessoas normais.
Oz: - Eu preciso encontrar alguém que me ajude, que me oriente.
Velho: - Por que não tenta encontrar a si mesmo?
Oz: - Estou tentando...
Velho: - Não. Você está me procurando. Ou alguém que o ajude. E nem alguém nem eu somos você.
Oz: - Fiquei confuso. O que sei é que sinto minha vida dividida. Parece que um lado sombrio meu tenta a todo momento dominar a minha vida. Às vezes o mundo parece bastante opressor e a realidade parece uma sina, um castigo.
Velho: - Entendo. Posso treiná-lo, ensiná-lo. Mas você é quem terá que lutar. Lutar consigo mesmo.
Oz: - O que é isso? Frases batidas de filosofia e um velho de barbas brancas querendo me ensinar a lutar? Quem é você? Pai-Mei?
Velho: - Eu sou apenas fruto da sua imaginação. Você sabe disso. E as frases batidas foram idéia sua.
Oz: - Entendo. Mas e daí? Como eu posso me ajudar a me ensinar a lutar comigo mesmo?
Velho: - Eu lhe ensinarei a controlar seus impulsos, a dominar seus poderes e mostrarei a porta para que você possa ser dono de seu mundo e de si mesmo, sem ser engolido pelo mundo real lá fora. Mas há um porém.
Oz: - Sempre tem um porém.
Velho: - Você terá que seguir até as Terras Sombrias de Darkias, destruir sozinho o exército de Zo e depois vencê-lo. Ou o Reino Sem Amanhã prevalecerá.
Oz: - Começou a viagem... E como vou vencer um exército inteiro e duelar com um cara desses? Eu não sou guerreiro.
Velho: - Todos somos guerreiros em nosso interior. E esse “cara” é seu lado sombrio. Você jamais será dono de si mesmo sem enfrentar seus medos e seu lado mais perverso.

E assim, Oz passou a ser treinado dentro de sua própria mente. Por 10 anos ele foi ensinado e testado, até ter controle sobre si mesmo. Oz achou que ainda não estava pronto, quando seu mestre mandou que ele partisse.
Velho: - Nós nunca estamos totalmente prontos. Mas precisamos seguir assim mesmo. Você já esperou tempo demais, 10 anos irão fazer falta em sua vida. Agora vá! Leve esse cristal mágico. Ele ajudará a aprisionar Zo e, controlando o cristal, você controlará o uso de Zo.
Oz: - Não vou matá-lo?
Velho: - Não se pode matar a si mesmo sem morrer junto. Seu lado mais perverso servirá para que você fique sempre atento e consiga enfrentar as intempéries da vida.
Oz: - Mas, o cristal, não é somente um artifício?
Velho: - Ele só existe em sua mente. É um artifício dela. Outra coisa. A feiticeira dona do coração de Zo poderá tentá-lo. Cuidado. Essa escolha poderá decidir o rumo de sua vida. Vai!
Oz então partiu e atravessou as Terras Darkias até chegar as terras do tirano Zo, onde um exército de seres estranhos o estava aguardando.
Bicho Estranho 1: - Eu sou a Dúvida. E vou estraçalhar essa sua determinação.
Bicho Estranho 2: - E eu, a Depressão, irei fazer com que você acabe consigo mesmo!
Oz: - Hum... Exército diferente esse. Mas, se esse é o mundo da minha imaginação e aqui eu sou um guerreiro cabeludo de capas de cds de heavy metal, então que comece a carnificina!
Assim, Oz partiu para a batalha mais sangrenta de sua vida.


Notas:
1 - Segunda citação ao Mágico de Oz, influência óbvia. :P
2 - Devem ter percebido que o estilo anárquico e absurdo o Monty Python sempre me influenciou. Tento ter o humor deles em outros blog também, mas quem sou pra tanto... rs
3 - Eu tinha 29 quando escrevi esse post e, bem, era um velho chato e ranzinza antes dos 30. Hoje sou ou velho chato e ranzinza de 30. =P
4 - Karin é uma homenagem a um personagem de Dragon Ball de mesmo nome e que sempre me lembra aquelas estátuas de maneki-nekô, aqueles gatinhos brancos que vendem nas lojinhas de presentes. Eu poderia tentar explicar como eu fiquei "surpreso" de vê-lo, sendo que ele já apareceu nas Aventuras, mas seria muito confuso. Vou deixar pra dar nó na cabeça de vocês na Saga Sem Nome, hehe.

3 comentários:

Deborah disse...

nossa, eu lembro de ter lido o capítulo 11, hehe

Angyn disse...

Falando do "suicídio" ao matar simbolicamente os pais, na verdade, seria uma tentativa de romper a "pulsão de morte" (se é que eu posso usar esse termo nessas circunstâncias) que se instala diante da morte dos pais... eles seriam um tipo de projeção heróica dos filhos, que se espelham e se vêem neles pra alcançar seus objetivos. Com a morte real deles, os filhos perdem o modelo original de admiração e, se o vínculo emocional representado pelo cordão umbilical não for desfeito, os filhos sentem a morte dos pais como se fosse sua.
É meio paradoxal, mas é um charme, não? ;)
Beijos!

Angyn disse...

cara, ADOREI essa parte, sério mesmo... por que você não tenta procurar uma editora pra publicar seus livros? eu compraria :)
aliás, você poderia me contratar pra revisar seus livros, já que eu sou formada em Letras, que tal? :P