segunda-feira, 18 de junho de 2007

A Saga do Fim do Mundo - Parte 2

Textos originalmente postados no Mundo de Oz 2.0 (http://mundodeoz.weblogger.com.br), em 2004.

O texto do psicólogo foi inteiramente inspirado num livro que eu estava lendo na época, de um psicólogo que tem o mesmo sobrenome do personagem do doutor. E grande parte do texto foi "chupinhado" do livro. Sim, eu sei que sou uma fraude...

OZ E O DESESPERO

Oz ainda não se conformava que iria perder seu Mundo. O desespero tomou conta do rapaz.
- Mãe, meu Mundo vai acabar, o que eu faço?
- Que mundo? Que acabar? Tá maluco, menino?
- É verdade! Já foi decidido! Meu querido Mundinho está nas últimas! Não vai ter mais Mundo de Oz! Nada de listas, nada de textos sobre filmes, rock, quadrinhos... Vai tudo acabar! Nunca mais haverá relatos de minhas aventuras fantásticas e bem-humoradas! Não vai mais ter desenhos da minha triunfal volta ao desenho que ainda nem começou! Está tudo acabado! Terminado!
- Ô menino, deixa disso. Você já tá velho pra ligar pra essas coisas. Isso é coisa de adolescente, de quem não tem o que fazer. Já era hora desse mundo acabar mesmo. Vê se cresce!

Oz tentou conversar com seu irmão, mas desistiu ao perceber que ele não estava dando a mínima para o que Oz dizia. Pra ele, o que importava era baixar tudo que encontrasse do 50 Cent na Internet e jogar bola na sexta-feira. Parece que, para o irmão de Oz, viver o momento, curtindo o que se podia curtir e sem se preocupar com o amanhã era a ordem.
O jeito foi enfrentar aquele que todos temiam, o impiedoso, mau-humorado, super-hiper-materialista e realista, o Grande Chefe daquela casa, o assustador e poderoso Don Francesco, o pai de Oz.
- Ô pai, você sabia que o Mundo vai acabar?
- Mundo? Que mundo?
- O Mundo de Oz, pai. Tá nas últimas.
- Ah, o "seu" mundo.
- É.
Fez-se uma pausa e um silêncio quase interminável.
- E daí?
- Como assim, e daí? O que eu vou fazer da minha vida?
- Você quer mesmo que eu diga?
Oz ficou quieto. Já sabia q vinha sermão...
- Pra começar, pode esquecer essa baboseira e trabalhar mais, levar a vida mais a sério, ajudar a pagar as contas. Quando é que você vai crescer e virar um homem de verdade, deixar de ser irresponsável? Chega de quadrinhos, cinema, rock, internet. O tempo tá passando! Vê se acorda!

Parece q aquilo num ajudou muito. Oz tentou falar com os seus amigos, mas parece que ninguém poderia fazer muita coisa.
Um amigo seu disse: "É o sistema, cara! O maldito sistema! No fim, todo mundo acaba cedendo, sendo absorvido e fazendo parte do sistema!" Aquilo não adiantou muito.
Sem saber o q fazer e com quem falar, Oz se trancou em sua Torre da Solidão e ficou lá, pensando numa solução. Mas não encontrou.
A fase do desespero havia passado. Oz agora estava deprimido...



OZ VAI AO PSICÓLOGO

Deprimido, Oz fica totalmente enclausurado em seu quarto, como já havia feito várias vezes na última década. Vendo que aquilo não iria levar a lugar algum, resolve pedir ajuda e marca uma consulta a um psicólogo, o Dr. Spezzano, um tiozinho com cara de intelectual e uma porrada de diplomas na parede.

- Sabe o q é, doutor, o meu Mundo vai acabar e eu não sei o que será da minha vida.
- Sei. Você diz... num sentido figurado, não é?
- Não! Vai acabar mesmo! Vai ser destruído, desintegrado, aniquilado, vai sair do ar! O Mundo de Oz, entende?
- Ah, sei, entendo. E daí?
- Como assim e daí? O que será de mim?
- Olha Oz... É esse mesmo seu nome? Bem, olha só: porque o Mundo vai acabar?
- Não sei. Não disseram. Só disseram que ele ia acabar e pronto! Disseram que eu já tô meio velho pra esse tipo de coisa e que eu tinha que dar um outro rumo pra minha vida. Fazer algo sério, pra valer, entende? Disseram que eu tenho que começar a agir como um adulto, sabe?
- E o que é ser adulto pra você?
- Ah, sei lá. Eu vejo meus pais, alguns amigos meus... Casados, com filhos, trabalhando, pagando contas, trabalhando. Sei lá, parece meio triste. As pessoas andam mau-humoradas e reclamando da vida, dizendo "Tenho q pagar contas, tenho família pra sustentar, não posso ficar sonhando que nem você". Isso não parece legal. Na verdade, a gente fica com vontade de ser que nem o Peter Pan e ficar sempre criança. Parece que ser adulto, "responsável" - como eles dizem, parece ser muito chato e frustante, que nem naquele clipe do Ramones, I Don't Wanna Grow Up, sabe?
- Hum, sei. Vou te dizer uma coisa, Oz. Ser adulto é muito mais do que isso. Na verdade, muitas dessas pessoas - a maioria - que se diz adulto, são crianças crescidas, dependentes e presas aos outros. Maturidade, ser adulto, é ser dono do seu próprio nariz e assumir a responsabilidade por sua vida. Você faz o que quer, vê o que acontece e paga o preço, seja bom ou ruim. Na verdade, você aprende! Isso é crescer: fazer da vida uma experiência, onde você cria a sua maturidade e seu próprio sistema, ou é escravizado pelo sistema de outra pessoa - que é o que a maioria faz!
- Tá! Você tá me dizendo que um cara que nem o Ozzy, o João Gordo ou o Chorão são mais adultos quee muitos executivos com cara séria e um monte de responsabilidades?
- Olha, ser adulto não está na roupa, na profissão ou nas responsabilidades. Ser adulto é uma questão de atitude. Ser dono da sua vida e fazer o que você quer e o que tiver que ser feito, entende?
- Mas e as pessoas! Toda vez que eu falo sobre quadrinhos, rock ou sobre meu blog, as pessoas me criticam e dizem que sou infantil!
- Você não tem que dar explicações de nada que faz com sua vida, isso é ser adulto! Quem dá explicações são as crianças aos seus pais!
- Tá, mas e quanto ao fim do Mundo?
- Talvez seja uma passagem da sua vida. Veja, nós fazemos o que queremos de nossas vidas, mas também temos que nos adaptar ao ambiente e à situação que estamos vivendo. Há coisas que devem ser mantidas e há outras que devem ser abdicadas.

Oz ainda estava meio confuso, mas o psicólogo continuou:

- Sei quevocê parece meio perdido, mas o que posso dizer é que a melhor solução é você dar uma boa olhada em seus dons e no que gosta de fazer. Veja aquilo que você faz sem esperar retorno algum e veja se é possível viver disso. Se não for possível, arrume outra coisa que dê pra "pagar as contas", "tocar a vida pra frente" e use seu tempo extra para se dedicar ao que você realmente gosta. Já viu aqueles filmes em que tem alguém que trabalha de garçonete e diz "não sou garçonete, sou atriz. Isso aqui é só pra pagar as contas". É mais ou menos por aí. Não perca tempo se frustrando e nem vivendo uma fantasia. Sempre que você continuar a fazer algo de quer fugir, em vez de mudar o curso dos acontecimentos e fazer o que tem vontade, você se sentirá muito mal.
- Mas e meu casamento com a Puka? E as coisas dessa vida material e capitalista em que vivemos? Sabe, carro, celular, casa...
- Bem, quanto à sua noiva, acho que ela deve estar mais interessada em te ver feliz do que você "buscar todos os tesouros do mundo para agradar sua rainha". Agora, quanto a essa de dinheiro, você vai ter que aprender uma dura lição para amadurecer: que a gente tem que escolher se vai TER o que quer ou se vai FAZER o que quer. Você tem que pesar o que é mais importante em sua vida: tentar impedir que o Mundo acabe ou partir pra outra, começar uma nova vida, viver novas experiências e construir uma maturidade onde você faz o que veio aqui fazer, mesmo que isso custe uma vida modesta e seja feliz com aquelas pessoas que ama. Simples assim.
- Simples? Sei não... Mas valeu, mesmo assim!

Oz deixou o consultório um pouco melhor, mas ainda faltava algo... Ficar assistindo o Mundo acabar não lhe agravada nem um pouco. Resolveu procurar o Guru da Auto-ajuda...

...continua.

1 comentários:

Deborah disse...

por favor me diga que o guru da auto-ajuda não é o paulo coelho...

pô, me inspirei nos comentários do seu psicólogo. graças à deus, o que eu gosto de fazer realmente dá dinheiro. hehe

ah, pode mandar beijos, sim, sem problemas.